Crônicas de despedida

Caros, duas colegas (a Ligia e a Victoria, da 3H1) escreveram, em uma das atividades de sala de aula, duas belas, belíssimas crônicas. Ambos os textos refletem sobre esse momento de despedida pelo qual vocês estão passando. Creio que sejam um belo presente para todos nós – e, claro, um rito importante de passagem…

Com vocês, os textos.

Crônica – Ligia Stempniewski

            É incrível como algumas lembranças, há muito intocadas, com os estímulos certos reaparecem em nossos pensamentos como se tivessem acontecido ontem.
            Ainda me lembro da primeira vez em que coloquei meus pezinhos de menina na escola em que, hoje, vivencio minha última semana de aula como estudante do Ensino Médio. Eu tinha onze anos, e fiquei maravilhada com o colégio. Não por sua estética, ou por suas salas de aula, ou pelo discurso apaixonado da ex-aluna que acompanhava, como guia, meus pais e eu pelos corredores. A razão de minha fascinação era outra. A atmosfera do lugar me cheirava a livros, a estudos, a sonhos realizados, a futuro. E, pasmem: ao invés de fugir correndo, me dirigi, determinada, à minha mãe: “É aqui. Pronto. Pode fazer a minha matrícula”.
            E, por alguns anos, fui plenamente feliz. Estudei, e estudei muito, mas fiz muitos amigos e conheci pessoas que me tornaram o que sou hoje – por mais clichê que isso soe.
            E, então, veio a rebelde adolescência e, com ela, os anos mais difíceis da escola. Me revoltei. Era uma caixinha de críticas e argumentos, pronta pra vomitar um insulto ao meu colégio assim que qualquer pessoa fizesse referência a ele. “Não tenho vida”, “vou ficar louca” e “este não é o jeito certo de me fazer aprender” eram algumas das frases que eu mais pronunciava. A caixinha também derramava algumas lágrimas de vez em quando, o que só servia para aumentar meu ódio.
            Até alguns meses atrás, eu era essa caixinha. Não sei quando isto aconteceu, mas não sou mais. E percebi isto esta semana. “Minha última semana de aula. Vou fantasiada para a escola.” Sempre acompanhei este ritual dos terceiros anos. E agora chegava a minha vez.
           Curioso como, ao chegar perto do fim de alguma etapa, tendemos a olhar para trás e refletir, realmente pensar, sobre o que aquela época de nossas vidas significou para nós.
            Neste momento, percebi que a escola nunca tinha sido monstro: era mãe. Uma daquelas mães rígidas e exigentes que levantam a voz e ameaçam, mas que sempre serão as que nos oferecem um abraço no qual nos sentimos em casa. E, como toda mãe e filha, nós brigamos, e brigamos feio. Mas, ao lembrar daquela primeira vez que estive em meu colégio, e do motivo que me fez ser estudante dele, percebo que, como um filho que deixa a casa dos pais, sentirei saudades. E que as broncas, gritos e castigos foram necessários para que eu fosse lançada ao mundo assim como entrei na escola: decidida, segura e encarando de frente meu futuro e minhas possibilidades.

Crônica – Victoria Marino

              Chega a ser quase indescritível a sensação de estar rodeado por todos os amigos que te acompanharam por no mínimo três anos, todos em suas roupas brancas, chorando suas despedidas a um período, a um lugar, a uma convivência. Certo, talvez “amigos” não seja o termo mais adequado… Colegas? Conhecidos? Companheiros de guerra? A nomenclatura é o de menos; o que importa é que tínhamos algo que nos unia. Posso dizer com quase absoluta certeza que não houve uma só espinha naquela quadra que não sentiu o arrepio quando as quinhentas vozes se juntaram no uníssono que abalou o lugar: “Terceiroô, terceiroô, terceiroooooô”.
             Em meio a risos, lágrimas e suspiros nos despedíamos da escola, dos professores e, acima de tudo, nos despedíamos daquilo que havíamos chamado de “adolescência”. Mas não se assuste. Há um motivo pelo qual comemorávamos, ao invés de nos lamentar; pelo qual nos referíamos, todos de branco, ao ano novo, um recomeço. É que aquele arrepio na espinha não era apenas pelo que sentíamos estar deixando para trás, afinal, quando morre um adolescente nasce um… Um o quê? Não sabíamos. Daí o arrepio… Era a incerteza de estar caindo de braços abertos na vida, batendo de cara nas inseguranças, sentindo a dor dos erros, mas, sempre, sendo levados pela maravilhosa sensação chamada “liberdade”. “É isso aí, EU decido o meu futuro.” Pode haver algo mais aterrorizante e, ao mesmo tempo, mais sedutor do que isso?
               O fato é que estávamos de frente para a mudança e aquele ritual nos permitia velar propriamente o adolescente que um dia havíamos sido, comemorando a transformação e nos preparando para o que quer que estivéssemos fazendo de nós. Dizíamos assim um emocionado e caloroso “oi” para o começo do resto de nossas vidas…

Vencedores do Festival Dissertativo

1.o lugar: “A situação da educação no Brasil”, de Felipe Patrezze Nunes – 3B2

(19,5% dos votos totais: 24% dos votos dos alunos; 15% dos votos dos professores)

2.o lugar: “Trabalho na construção da dignidade humana”, de Catheline Yahsue Chen – 3E3

(18% dos votos totais: 3% dos votos dos alunos; 30% dos votos dos professores)

3.o lugar: “O último é sempre o eterno”, de Flora de Oliveira – 3B2

(16,5% dos votos totais: 24% dos votos dos alunos; 15% dos votos dos professores)

Parabéns!!

Votos Blog Votos Professores Total
Texto 1 24% 15% 19,5% 1.o lugar
Texto 2 7% 5% 6,0%
Texto 3 3% 10% 6,5%
Texto 4 13% 0% 6,5%
Texto 5 5% 20% 12,5%
Texto 6 3% 30% 16,5% 3.o lugar
Texto 7 1% 10% 5,5%
Texto 8 26% 10% 18,0% 2.o lugar
Texto 9 18% 0% 9,0%

 

Novas ideias – Festival Dissertativo

Chegou ao fim o primeiro Festival Dissertativo do Colégio Bandeirantes, promovido pelos professores de redação junto aos alunos das 3.as séries. Em meio à apreensão pelo novo projeto, a dúvidas inspiradoras dos alunos – “posso escrever um ensaio, uma crônica?” (uma boa ideia para um outro festival, não?) – e ao risco evidente de um grande fracasso, o Festival terminou com um ótimo saldo de quarenta e seis textos inscritos, nove textos finalistas e uma votação expressiva entre alunos e professores.

A mobilização dos alunos no período de votação foi notável. O número de votos ultrapassou os mil, no Blog de Redação, e o Festival virou assunto no Facebook, Twitter, blogs, chegando até a outros países! O mais gratificante disso tudo é saber que o Festival proporcionou a circulação de textos dos alunos, que escreveram sobre o que quiseram, porque quiseram – e não por exigência da “lição de casa” ou de algum vestibular.

Os vencedores merecem os nossos parabéns. Parabéns, Felipe, Catheline, Flora, pelos ótimos textos, pelas ideias expostas, pela reflexão que hão de ter gerado em alguns leitores. O poder das palavras é imenso, e elas, uma vez articuladas em textos, criam corpo, vida própria. Quando estes são divulgados, aí então ganham autonomia – filhos crescidos que são – e falam por si só, não precisam mais de seus autores para transmitir suas ideias, que nós, pais, às vezes nem tínhamos notado, tão bem feitas lá no emaranhado de palavras.

Os finalistas também têm seu merecido destaque no Festival, pois seus textos puderam comunicar, entreter, fazer pensar, emocionar tantos leitores, jamais mensuráveis. Marcela, Natália, Giulia, Adriano, Gabriel, Christine, obrigado pela oportunidade que nos deram de lermos textos tão interessantes. Saibam que as ideias de vocês foram mote de muitas conversas, entre um café e outro, na sala dos professores do colégio!

Mas talvez mais do que cada um dos nove finalistas, merecem todo o nosso apreço, admiração e orgulho os vários alunos que escreveram textos para o Festival. Que, entre tantas tarefas do 3.o ano, debruçaram-se sobre o papel – ou sobre o teclado do computador – e deram forma às ideias, opinando, expressando-se sobre os assuntos que os mobilizam. Vocês não devem imaginar o trabalho que nos deram! Selecionar finalistas dentre tantos textos, uns instigantes, outros curiosos, outros ainda simpáticos, todos interessantes a sua maneira, não foi tarefa fácil.

Na diversidade de temas abordados, foram discutidos o pré-sal e o preconceito linguístico; os preconceitos persistentes – contra as mulheres, contra os homossexuais – suas razões e perigos. O terrorismo, mas também a Gentileza (do profeta do Rio), a alienação do jovem, mas também a liberdade de escolha; a falta de preocupação com o futuro, mas também a vivência, o aprendizado, a importância da memória. Alguns problemas sérios de nossa realidade foram lembrados, como a corrupção na política, a censura ainda existente, o descaso com a infância e com a educação, a degradação do trabalho, a violência, a padronização, a praga do consumismo. Mas tampouco se esqueceu do amor, da dignidade, da arte, do Modernismo, da inteligência, das bicicletas, do futebol! Somam-se ainda a essa lista rica e variada de temas o empreendedorismo, os meios de comunicação, os padrões de beleza, a imagem, o medo da morte, a individualidade.

Os textos foram muitos. As opiniões e estilos também. Toda essa riqueza certamente foi responsável pelo sucesso desse primeiro Festival Dissertativo e pelo prazer que ele proporcionou: o prazer de ler, de ser lido, de se descobrir um pouco escritor, de divulgar ideias. Esperamos que esse seja um feliz começo de uma história de leitura do que nossos alunos produzem e, quem sabe, da trajetória traçada por alguns, que, como Drummond, optarem, seja onde e como for, pela talvez vã mas certamente deliciosa luta com palavras.

Festival Dissertativo – Data de divulgação dos vencedores

Devido à mudança no prazo de votação na fase final do Festival, divulgaremos os textos vencedores apenas dia 21 de outubro (um dia após a data primeiramente determinada).

Obrigada,
Equipe de Redação

Festival Dissertativo – Textos finalistas


Instruções



Bem-vindos à segunda fase do Festival Dissertativo! Foram escolhidos nove textos finalistas. Cada um deles encontra-se em uma das “abas”.  Para votar, clique em cada uma delas, leia os textos e, na aba “VOTE”, escolha seu texto favorito.

A votação ocorrerá entre os dias 6 e 16 de outubro.

Bons votos!


1



Texto 1: A situação da educação no Brasil

A educação sempre representou uma base de extrema importância na plenitude do desenvolvimento nacional. No Brasil, entretanto, a situação do sistema educacional não corresponde ao ótimo momento econômico pelo qual o país passa.

Apesar de ser um direito previsto pela Constituição, a educação oferecida pela rede pública não atende às reais necessidades de seus estudantes. A precariedade da infra-estrutura física das escolas públicas, somada à insatisfação dos professores, ao material didático ineficaz e ao consequente desinteresse estudantil, apenas contribuem para a mais profunda degradação escolar nacional. Como apontado por uma recente pesquisa realizada pela UNESCO, os espantosos índices de repetência (18,7%) e abandono das atividades escolares (13,8%) comprovam a fragilidade do sistema educacional brasileiro. Todo esse cenário resulta de uma má gestão dos recursos financeiros do Estado, que, mal distribuídos, valorizam muito mais o trabalho de funcionários públicos, como os juízes e os políticos, sacrificando o trabalho dos professores da escola pública, o que acarreta a já citada perda de motivação por parte do corpo docente.

O descaso dos órgãos governamentais para com as instituições públicas de ensino foi constante na história brasileira. Recentemente, no entanto, diversas medidas foram tomadas como tentativa de solucionar os vários problemas, mas mesmo assim não obtiveram o êxito esperado. É indiscutível a importância do ENEM na identificação das dificuldades de ensino, garantindo um direcionamento mais preciso de investimentos nos respectivos setores regionais. A estrutura da prova, porém, não permite que o aluno identifique e aprimore suas deficiências acadêmicas, uma vez que propõe as mesmas questões para alunos de diferentes níveis de ensino. Para tanto, seria ideal que as provas aplicadas a alunos no início do ensino médio propusessem desafios condizentes com a respectiva capacidade intelectual, ocasionando um melhor reconhecimento, por parte do aluno, de suas limitações. Essa nova estrutura condicionaria um trabalho individual mais específico nas matérias em que se verifica um baixo aproveitamento, de forma a melhorar o desempenho em avaliações futuras.

A situação do sistema educacional brasileiro é, também, um problema sociocultural. Uma sociedade que não valoriza o conhecimento acaba colocando em risco toda a história e as memórias de sua nação, por ser mais facilmente influenciada por grupos, ideologias ou interesses políticos alheios, uma vez que não possuem uma total consciência política e reflexiva sobre os fatos. Desta forma, o desinteresse da sociedade em relação ao saber tem reflexos não só no sistema educacional, mas em toda a comunidade e cultura brasileira. A ausência de conselhos ou grêmios, na maioria das escolas, inviabiliza a elaboração de reivindicações pertinentes, por pessoas que convivem com os problemas e que certamente exibiriam soluções acessíveis e aceitáveis, contribuindo de forma decisiva para a melhora da educação no país.

A educação configura-se, portanto, como algo imprescindível à estrutura do Estado, pois propicia um melhor desenvolvimento social e econômico através da oferta de uma melhor qualificação aos cidadãos, garantindo também um incremento nas atividades intelectuais do país. Além do mais, as atividades educacionais devem agir como um cimento na construção da identidade nacional, preservando nossa imensa herança cultural e histórica.

Felipe Patrezze Nunes
3B2

2



Texto 2: Saudáveis e sustentáveis

Saudáveis e sustentáveis. Tais adjetivos caracterizam os indivíduos que optam pela bicicleta como meio de transporte. Cada vez mais pessoas percebem que os benefícios trazidos por essa opção de locomoção são mais significativos que as dificuldades que ainda enfrentam em megalópoles, como São Paulo. Assim, a adesão a esse movimento torna-se cada vez mais perceptível na capital paulista.

É verdade que cidades como São Paulo, diferentemente de Amsterdam ou Paris, não oferecem condições propicias para aqueles que decidem utilizar a bicicleta para se locomover. Primeiramente porque não apresentam uma infraestrutura favorável aos ciclistas. Existem muitos bairros em que os terrenos e as ruas têm um relevo íngreme. Além deste fator, as ruas e avenidas ainda não foram devidamente adaptadas para as bicicletas, poucas apresentam ciclo faixas. Outro obstáculo é a distância entre os possíveis locais de partida e chegada do individuo. Deste modo o ciclista se encontra exposto a diversos inconvenientes, como exercer um esforço descomunal se viver na Pompéia, ou simplesmente ter que lidar com motoristas inoportunos, ou ainda, ter que percorrer uma distância de quarenta quilômetros de sua casa até seu trabalho.

Apesar dos contratempos muitas pessoas estão aderindo ao ciclismo como meio de se deslocar. Isso se deve principalmente a quatro fatores. O transporte através da bicicleta previne o ciclista de participar do intenso e desagradável trânsito vivenciado diariamente por aqueles que se locomovem através de automóveis. Além disso, o ciclista economiza tanto em gasolina quanto com estacionamentos, o que toma a bicicleta muito atraente para aqueles que querem poupar seu salário. O apelo da sustentabilidade também faz com que muitas pessoas optem pela bicicleta, já que ao utilizá-la o individuo não polui o meio ambiente. Finalmente, o transporte através desse equipamento esportivo une de maneira eficiente exercícios físicos com a otimização de tempo uma vez que o individuo se exercita enquanto se desloca.

Todos esses apelos positivos e o aumento de ciclistas urbanos também incentivam o governo a executar ações em prol do ciclismo. Diversas medidas políticas estão sendo tomadas tanto para incentivar as pessoas a deixarem seus carros na garagem e utilizarem a bicicleta para se deslocar, quanto para atender reivindicações de ciclistas para melhores condições e segurança. O grupo se tornou tão notável que tem destaque na mídia e seus apelos são levados em consideração pelos governantes. Nos últimos dois anos vários artigos que favorecem os ciclistas foram acrescentados ao código de trânsito. Pode-se tomar como exemplo o artigo 201 que garante uma distância segura entre um veículo motorizado e o ciclista. Atitudes como essa favorecem o uso desse transporte saudável e sustentável que a bicicleta representa, propiciando condições para um aumento cada vez maior de adeptos.

Em suma, se locomover como um ciclista inserido no contexto de uma cidade com as características que São Paulo apresenta é difícil. Porém os fatores que contribuem para que as pessoas passem a aderir a esse estilo de vida superam possíveis desvantagens.

Giulia D. Sobrosa
3H1

3



Texto 3: Viagem — sem volta?

“Narciso acha feio o que não é espelho”
Caetano Veloso

É certo que se associa, constantemente, vaidade à auto-estima, sempre atribuindo um sentido positivo a essa relação. Mas também é certo que os padrões de beleza, por uniformizarem a aparência dos indivíduos, não realçam a verdadeira beleza dos seres humanos.

Primeiramente, o padrão de beleza é histórico e efêmero, a exemplo dos quadros de Ticciano, datados do Renascimento: mulheres fartas, gordas e brancas – nenhuma relação com o padrão atual. Por ser efêmero, é apenas um estado do indivíduo, ou seja, o indivíduo não o é: não é apenas magro, loiro, alto, forte. Na verdade, reduzir o ser humano a isso é não considerar a sua complexidade.

E mais: o padrão de beleza existe para saciar as demandas de um mercado cruel que dita as formas de ser belo. E essas formas acompanham o ritmo da produção capitalista. O produto dessa lógica da beleza é o narcisismo. Segundo Jacques Lacan, psicanalista francês, o narcisismo é essencial para a constituição do indivíduo enquanto pertencente ao mundo, ou seja, para amar o outro é necessário ter noção de si, mas isso data de uma época infantil. Narciso, quando se afoga em sua própria imagem, mostra-se incapaz de olhar ao redor – só se importa consigo. E é exatamente essa ideia, o individualismo, que o capitalismo vende.

Percebe-se, portanto, que justamente por ser padronizada, a beleza pode ser transformada e transforma a concepção de beleza dos indivíduos, levando-os a uma viagem sem volta para dentro do espelho. Assim, cabe a pergunta: se a diversidade é tão valorizada atualmente, por que o ser humano insiste em padronizar características? Será mesmo que é uma viagem sem volta?

Marcela Yeranouhi Ohanian
3H1

4



Texto 4: Erro de Dosagem

Na natureza, diversos ciclos podem ser observados. O ciclo da economia encaixa-se nesta dinâmica, mas apresenta um combustível peculiar: o ato de consumir. Na sociedade atual, o consumo, apesar de ser vital para promover o movimento da roda da economia e o desenvolvimento socioeconômico, inegavelmente vem criando condições auspiciosas para uma completa falência da dinâmica financeira vigente e uma degeneração violenta da qualidade de vida da população.

O consumo é o principal motor do ciclo econômico e do desenvolvimento social da contemporaneidade. Com o consumo, geram-se riquezas, que alimentam investimentos para aumentar a produção. O aumento da disponibilidade de produtos, por sua vez, incentiva o ato de consumir, criando uma retroalimentação dessa dinâmica. Os lucros, desse modo, a cada ciclo completo, multiplicam-se. O Estado, responsável pela tributação, recolhe parte dos recursos gastos pelo consumidor e reintegra-os à sociedade, distribuindo-os por ela, de modo a potencializar o número de consumidores, inserindo as camadas sociais menos abastadas na dinâmica do consumo. Tal inserção representa um desenvolvimento socioeconômico que promove a melhoria das condições de vida dos indivíduos pertencentes a essa camada financeiramente desprovida, que passam a gozar de uma condição capaz de ser mantida pela própria dinâmica econômica, vendo as condições desconfortáveis e, certas vezes, até desumanas em que viviam, como fome, miséria e insalubridade, serem suprimidas pelo poder de compra que o dinheiro proporciona.

No entanto, se o consumo pode promover o desenvolvimento socioeconômico, atualmente, o ato vem criando as bases para um colapso do sistema financeiro e para a degeneração das condições de vida dos indivíduos que a empreendem. Sendo o ato de consumir análogo a um combustível, se dosado de maneira errônea, tal atitude pode desequilibrar a delicada dinâmica econômica vigente. E isso vem ocorrendo, pois a sociedade vem adotando o exagero como uma de suas políticas de vida, recorrendo ao consumismo exacerbado, que é estimulado pelas próprias empresas produtoras, de modo a potencializar seus lucros. O ciclo, por causa de tal postura exagerada, é acelerado a uma velocidade desgastante, na qual os investimentos em infraestrutura governamentais, responsáveis pela saúde do ciclo, não acompanham o crescimento da quantidade de riquezas. Isto se deve à intensa burocracia governamental, que desacelera a relocação dos recursos públicos provenientes da tributação para o desenvolvimento da infraestrutura necessária às atividades produtivas. Surgem, nesse contexto, as crises de superaquecimento. Os produtos encarecem violentamente, e o consumo cessa por causa de tal alta nos preços. Sem o consumo, cessam-se a produção, os lucros e, consequentemente, os investimentos direcionados à criação e manutenção dos novos consumidores.

Sem sua manutenção pelos investimentos governamentais, os consumidores menos favorecidos passam a empreender cortes de gastos nas mais diversas áreas, anulando todas as melhorias em sua qualidade de vida que haviam sido promovidas. A situação se agrava pelas próprias medidas governamentais empreendidas para deter a crise. Com o aumento dos juros e da inflação, o consumo é reduzido ainda mais, e o preço de gêneros básicos dispara, tomando a vida das camadas menos abastadas um verdadeiro pesadelo financeiro, no qual o dinheiro é esparso, mas os gastos são vultuosos.

Em suma, o consumo é vital para a manutenção da dinâmica econômica vigente e para a promoção do desenvolvimento econômico e social, mas, atualmente, a valorização do exagero pela sociedade contemporânea vem tomando o ato de consumir essencialmente destrutivo e maléfico, configurando-o como o operador de um colapso da dinâmica financeira e social de todo o sistema. Assim, a sociedade se vale de uma dosagem errônea do consumo, destrutivo para sua saúde socioeconômica.

Adriano Henrique Fernandes
3B1

5



Texto 5: A vitória que amedronta

Na Idade Média, uma ligeira mudança de clima poderia significar um caos agrícola e, consequentemente, a morte de milhares de pessoas. Entre guerras, fome e doenças, as pessoas viviam isoladas e temerosas, reconfortadas somente pela promessa de uma vida melhor depois da morte. Hoje, o domínio do homem sobre a natureza é enorme, e a religião cedeu espaço à ciência e à tecnologia. No entanto, a morte é mais temida do que nunca.

Por que, se a humanidade tem mais poder, ela tem mais medo? É bastante simples. Somos criados atualmente com um controle quase completo das funções básicas de nossos corpos. Se temos sono, tomamos café; se estamos insones, tomamos remédios para dormir. É dificílimo que, estando acostumadas a controlar tudo, as pessoas compreendam imediatamente a sua impotência perante a fatalidade da morte. Além disso, não é só sobre nossos corpos que esse controle acontece. Praticamente todos os fenômenos naturais de nosso cotidiano são manipulados pelo homem. Por isso, há em certos indivíduos o abandono da crença em Deus, e com isso é extinta qualquer esperança de que a morte, na realidade, não signifique o fim da existência humana.

Além disso, há o enaltecimento da existência humana acima da existência de todo o resto do universo. Esse fenômeno é notado na filosofia ocidental em grande peso, e consiste na crença de que a parte mais importante da realidade é o homem, por ser abençoado com o dom da racionalidade e da inteligência. Porém, não há nenhum sentido em acreditar que a racionalidade gere uma imediata superioridade do humano sobre tudo ou uma infalibilidade. Aliado ao poder real do homem contemporâneo sobre a natureza, esse enaltecimento gera prepotência, que é a principal causa do medo da morte.

A fobia da morte, portanto, advém desses fatores e nada mais é do que, um desejo de controle do homem sobre o mundo. Hoje, ela tem como consequências mais evidentes o desenvolvimento da ciência da criogenia e da própria medicina. Não é incomum ver capas de revistas que proclamam uma duração de 130 ou 150 anos para o homem que vive hoje.

É um desvio de foco absurdo. Os seres humanos têm como dever se preocupar com a qualidade de suas vidas, e não com a duração delas. É preferível passar trinta anos lutando pela melhoria das condições de vida do que viver duzentos em uma cobertura de dois andares, pagando milhares de reais todo mês pelo direito de continuar respirando. Afinal de contas, a existência de ninguém é mais valiosa do que a saúde do organismo social em que vivemos. É egoísta e prepotente o medo de morrer, e deve ser combatido diariamente, dentro de nós e das pessoas de que gostamos.

Natália Portinari
3H1

6



Texto 6: O último é sempre o eterno

O amor está em evidência. O amor sempre esteve em evidência. Durante toda a história da humanidade esse sentimento é o que mais intriga o homem: criamos deuses e mitos para explicá-lo, produzimos arte sobre ele e, principalmente, vivemos em sua função. Ao analisar o amor pelas definições que recebeu durante toda a humanidade pode-se até ter a impressão de que se trata de um sentimento mutável. Mas, na verdade, há um padrão de comportamento esperado para ele que se transforma de acordo com a ideologia da época.

Mas como definir um sentimento que está presente desde a religiosidade até a o desejo carnal? Assim, pode-se afirmar até que o amor e a forma com que é visto está diretamente ligado a um padrão característico de determinado período. Em primeira vista pode até parecer um paradoxo relacionar um sentimento dito inato a qualquer tipo de obrigatoriedade social. O fato é que a forma de se sentir o amor não muda, mas a forma de expressá-lo e enxergá-lo sim.

Antigamente – há menos de meio século – o amor era visto com algo eterno. Hoje, “é eterno enquanto durar”. A fugacidade e o desejo passaram a caracterizar o amor ao invés do compromisso. Para se ter uma idéia de como se vive em função do amor, ou melhor dizendo, de sua representação, há tantas músicas narrando sobre ele que não há acontecimento – um “fora”, uma traição, o início, a ilusão, a realização – que não possa ser revivido através de uma música por qualquer tipo de fã: desde o roqueiro até o pagodeiro.

A sociedade atual glorifica as paixões, justificando seus sofrimentos e suas contradições pelo prazer. Pecado é não estar ardentemente apaixonado por alguém. Afirmar que o amor foi banalizado talvez seja um pouco radical, mas pode-se observar uma deturpação na forma como é enxergado. O erro de quase todas as gerações que se propuseram a explicá-lo talvez tenha sido nunca deixá-lo em silêncio.

Há uma necessidade de demonstrar o amor, de realizá-lo. Essa inquietação talvez seja uma de suas principais características. Principalmente atualmente, a exibição de tal sentimento tem se tomado mais importante do que senti-lo. É preciso que todos saibam que se está com alguém, mais até do que sentir algo por esse alguém. As alianças de compromisso são comumente vistas sendo usadas por adolescentes. Em teoria, elas seriam utilizadas para simbolizar o amor que o casal sente, mas, convenhamos, quantos desses namoros chegam a durar mais de seis meses? Na verdade, elas são utilizadas para exibir um namorado, um relacionamento, como se houvesse algum mérito nisso.

Assim, viver resume-se a amar. Todos os sentimentos parecem estar subordinados ao amor: desejo, decepção, satisfação, culpa e carência. Dessa forma, não vivê-lo, priorizando sua aparência ao invés de sua essência é deixar o tempo passar sem senti-lo.

Flora de Oliveira
3B2

7



Texto 7: Sem mais Oscars Wildes

Desde a Idade Média, a relação entre o mesmo sexo tem sido vista com repugnância. Condenado pela Igreja, tal modo de vida minoritário foi encarado como aberração, até como estado doentio. Essa filosofia intolerante dos heterossexuais não tem melhorado. A falta de alteridade faz seres simples com genética mutável, como Oscar Wilde, serem alvos de preconceito até os dias contemporâneos.

Embora a homossexualidade tenha deixado de ser considerado como doença há algumas décadas, ainda há preconceito por parte da maioria, que pertence à orientação sexual comum. Esta, influenciada, à priori, pela Igreja, no período medieval, o pós-moderno também contribuiu para o comportamento homofóbico. As curas terapêuticas às quais os “gays”, como dizem hoje, eram submetidos, foram substituídas por formas de discriminação como machismo, intolerância religiosa entre outras. Alguns cientistas, entretanto, apontam a preferência pelo mesmo sexo como uma marca genética mutável associada a um número maior ou menor de genes. Ainda assim, a sociedade, em geral, aculturada de forma machista, mantém aversão aos homossexuais.

Os indivíduos que mais sofrem com a homofobia de maneira silenciosa são os jovens. É na adolescência que eles têm uma visão de mundo mais ampla e percebem o quanto seu comportamento é anormal não só dentro da escola, como também da sociedade. Quando a homossexualidade não é aceita pela maioria, tais indivíduos são obrigados a viver como heterossexuais. Eles acabam por serem dominados pela solidão profunda por não concretizarem a relação desejada, assim como Oscar Wilde. Sua brilhante carreira literária foi arruinada quando um jovem sedutor forçou Oscar a confrontar-se com seus sentimentos homossexuais que o perseguiam desde a adolescência. Assim, os jovens homossexuais precisam de leis que reconheçam seus interesses.

Em uma sociedade influenciada pela cultura católica e pós-moderna, é difícil combater a homofobia. Portanto, cabe às instituições educacionais cumprirem seus papéis de garantir não só o direito à educação de todos os estudantes, mas também uma vida escolar com relações de alteridade. Desse modo, independente da orientação sexual, as escolas têm de ser um espaço de inclusão.

Christine Mari Takahashi
3E2

8



Texto 8: Trabalho na construção da dignidade humana

A visão de trabalho do homem foi construída por muitos anos a partir de uma relação de poder, na qual a maioria trabalhava na forma máxima de exploração, para o usufruto da minoria dominante, tendo-se o cuidado de impedir a transição de níveis sociais entre as classes. Ainda hoje se conserva uma forte marca escravagista nas relações de trabalho. Isso permite observar que a grande massa trabalhadora, sendo paste dela vinculada às condições indignas de trabalho, ainda está subordinada à minoria rica, que não respeita a questão da dignidade humana, como é o caso de alguns trabalhos, principalmente, na área rural brasileira.

Na dimensão econômica da dignidade do homem contemporâneo, a economia está a seu serviço para, então, satisfazer à necessidade da sociedade como um todo. Dessa forma, o trabalho vincula-se à dignidade humana de forma inalienável, porque através dele, o homem faz uso das riquezas da terra e aperfeiçoa a sua personalidade. A entrada da mulher no mercado de trabalho, a busca pela melhor formação acadêmica e a sobrecarga horária do trabalho são alguns aspectos das sociedades capitalistas do século XX que comprovam essa discussão. A partir deles se verifica, hoje, o progresso social que visa, mais precisadamente, a qualidade de vida. Para que esse processo tenha êxito, é imprescindível que haja ordens sociais que mantenham o equilíbrio harmonioso entre as relações humanas, e que respeitem, de fato, a dignidade de cada um. Esse valor moral assegura ao trabalhador, por exemplo, a liberdade de associação, ação pública e expressão.

Infelizmente o que se percebe ainda é que a lógica neoliberal, a que considera o máximo proveito do trabalhador para a obtenção de vantagens econômicas a si próprio, se faz presente na sociedade. Depois da abolição da escravidão em 1888, no Brasil, foram desenvolvidas diferentes maneiras de explorar o trabalho escravo no campo clandestinamente, como acontece até hoje. Isso se justifica na extrema concentração fundiária realizada durante toda a história brasileira, estabelecendo, portanto, uma forte relação entre propriedade de terra e poder. A formação de uma mentalidade que se sustenta na concentração de terra como se fosse um direito do rico e que confere aos proprietários poder sobre as pessoas explicam o atual desrespeito aos direitos do homem e à sua dignidade. A violência contra o trabalhador rural e a repressão aos movimentos sociais de luta pela terra são características de estrutura agrária comum no Brasil.

Ao condicionar o tal do progresso social, o trabalho promove a dignidade do trabalhador na sociedade. Mas o que se percebe ainda é que o trabalho escravo, hodiernamente, por exemplo, de fato, não valida essa afirmação. Por esse motivo são necessárias mudanças profundas na concreticidade das relações sociais e na própria mentalidade do homem. Para esse fim, o uso das novelas deve sustentar a idéia da reconstrução nacional que vise à dignidade do homem possibilitando terra e democracia para o trabalhador rural brasileiro injustiçado.

Catheline Yahsue Chen
3E3

9



Texto 9: Uma Questão Global

No mês de julho de 2011, uma discussão tomou a imprensa brasileira a respeito da obra “A Serbian Film” (“Srpski Film”, originalmente, ou “Um filme sérvio”, traduzindo para o português), proibida de ser exibida num festival de cinema fantástico no Rio, o RioFan. O filme, que entraria em circuito em agosto, foi posteriormente impedido de estrear no Brasil pela justiça federal em Minas Gerais, deixando no ar a dúvida: a liminar imposta foi censura ou proteção?

Segundo o juiz que tomou a decisão, o filme “subverte a ordem natural e lógica do que é razoável”. É compreensível toda a polêmica em torno da obra: com o intuito de “mostrar a derrocada política, moral e psicológica da Sérvia” ao longo de anos de guerras e transições políticas, nas palavras do diretor, o filme choca quem o assiste ao mostrar cenas monstruosamente cruéis e violentas, em meio a uma exagerada combinação de sexo e violência ou até mesmo a sugestão de estupro de um recém-nascido. A extrema violência e a nudez explícita é a representação mais fiel possível de tais temas tão doentios que chocam o mundo e qualquer pessoa sã. Em meio a tanto, a justiça brasileira achou que proibir o filme seria a solução mais correta, alegando proteger as crianças e também que o filme traria “graves prejuízos ao consumidor nacional”.

Entretanto, a decisão tomada pela justiça foi ridícula e fere gravemente a liberdade artística e de expressão. Em todo o mundo, o filme ganhou seu espaço, alguns lugares com cortes, outros diretamente em DVD. É justo só os brasileiros serem proibidos de assisti-lo? A discussão foi global sobre os limites do que a arte pode mostrar, e muitos podem acreditar que o filme ultrapassa, e muito, o bom senso do que deve ser exibido. Mas o que se quer mostrar são coisas cruéis e o resultado final é fruto de muita coragem da equipe envolvida na concepção do filme, que sob o argumento de ser necessário sentir a violência para saber do que se trata, criou uma obra que aparenta ser moralmente ruim, mas é cheia de significados. Tudo é uma grande alegoria da “alma mal formada e doentia da sociedade” e do poder dos líderes a que a sociedade sérvia, particularmente, esteve submissa. Como explicar que filmes americanos do gênero torture porn, como a série “Jogos Mortais” e “O Albergue”, que são puro sadismo, ganham espaço no Brasil e um filme chocante, porém com viés político e uma proposta de discussão de valores e do ser humano, seja censurado? É preciso entender que a obra não defende o que mostra e é, na verdade, completamente contra o que é mostrado. E quanto à questão da proteção às crianças, pra que existe a classificação indicativa então?

Assim, a liminar é claramente uma forma de censura, que impediu um artista de mostrar no Brasil seus traumas políticos e seus medos. É uma censura que não se encaixa na era atual, a do direito de liberdade de expressão. Todavia, foi uma medida que levou à mídia a discussão em torno de nossos valores e ampliou o alcance das questões do filme sobre o ser humano e a sociedade da Sérvia, ao mesmo tempo em que colaborou para a divulgação do filme. E, na era da internet, essa censura não resulta em proteção, já que qualquer curioso pode assistir às cenas em um clique, fazendo da liminar apenas um chamariz para a obra.

Gabriel Fabri
3H2


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  • Texto 5: A vitória que amedronta (5%, 61 votos)
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Impactos Ambientais: Desmatamentos e Queimadas

Para nos prepararmos para a aula 12, nada melhor do que lermos um texto que está na própria PUC-2011. Abaixo, a versão completa do texto que está na Coletânea da PUC: um artigo, publicado no site “comciencia”, sobre os impactos ambientais na Amazônia.

Foco de atenção do mundo todo, o desmatamento das florestas da Amazônia é um dos agentes responsáveis pelas grandes mudanças da paisagem da região. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), até o fim da II Guerra Mundial, a presença humana no meio ambiente quase não trouxe modificações à cobertura vegetal natural da Amazônia. Um novo período foi iniciado, contudo, com as políticas – principalmente no Brasil – visando a expansão das fronteiras agrícolas e o assentamento de imigrantes, oriundos de regiões densamente povoadas e/ou carentes.

Atualmente, diversas pesquisas vêm sendo desenvolvidas com o objetivo de analisar os impactos que a ação humana vem causando no funcionamento e na biodiversidade dessas florestas.

Para ler o texto completo, clique aqui.

Plano para despoluir o rio Tietê exclui cidades da Grande SP

Mais um texto para refletirmos sobre a relação entre Homem e Natureza. Este, uma reportagem acerca da despoluição do rio Tietê.

HERMANO FREITAS
Direto de São Paulo

O Projeto Tietê, plano de despoluição do mais importante rio do Estado de São Paulo, está restrito ao campo de atuação da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp). Segundo a empresa, o financiamento obtido em 2010 junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para obras que evitariam a poluição do rio deixam de fora cidades que fazem parte da bacia hidrográfica do rio, mas optaram por um sistema de coleta e tratamento de esgoto municipalizado.

Com valor aproximado de R$ 1,67 bilhão em investimentos que vão da ampliação e construção de estações de coleta e tratamento de esgoto a obras de esgotamento sanitário em 10 cidades e da capital, o plano deixa de fora os municípios de Diadema, Guarulhos, Mauá, Mogi das Cruzes e São Caetano.

Para ler mais, clique aqui.

Câmara aprova texto final do novo Código Florestal

Abaixo, segue uma reportagem publicada no jornal Folha de S.Paulo que trata da aprovação de uma Emenda Constitucional referente ao Código Florestal. Acessando o link indicado, você poderá ler opiniões favoráveis e contrárias a esse Código.

MÁRCIO FALCÃO
LARISSA GUIMARÃES
DE BRASÍLIA

Após semanas de embate, negociações e troca de acusações, a Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (24) o texto-base da reforma do Código Florestal com alterações que significaram uma derrota para o governo.

Uma emenda aprovada por 273 votos a 182 rachou a base do governo levando os principais partidos governistas, PT e PMDB, para lados opostos. O texto da emenda consolida a manutenção de atividades agrícolas nas APPs (áreas de preservação permanente), autoriza os Estados a participarem da regularização ambiental e deixa claro a anistia para os desmates ocorridos até junho de 2008.

O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), chegou a falar, em nome da presidente Dilma Rousseff, que a aprovação da emenda seria “uma vergonha”.

Para ler mais, clique aqui.

Texto-Modelo (aula 9)

Agora, um texto escrito pelo colega Adriano Fernandes, da turma 3B1. Vale a pena ler: o Adriano formulou uma narrativa emocionante, com uma linguagem refinada e fluente!

São Paulo, 04 de agosto de 2011

Prezado Senhor Artur da Távola,

encontrava-me lendo a crônica “Olho de menino triste”, de sua autoria, ao me deparar com sua obra Mevitevendo. Identifiquei-me com o tema e minha mente engajou-se em uma reflexão sobre o que li. Senti-me forçado a extravasar meus pensamentos e escrevê-los, endereçando-os a alguém de tamanha sabedoria como o senhor. Relato uma experiência própria, esperando que se entretenha com ela tanto quanto me diverti ao ler uma crônica tão inteligente como a sua.

Era um dia especial para o meu “eu” de seis anos de idade. Mudava de escola e este era o primeiro dia de aula no novo estabelecimento educacional. Sentia-me amedrontado. Sempre fora um “menino triste”, tímido, isolado nos meus pensamentos, no meu medo de me relacionar e tornar-me o motivo do riso dos meus coleguinhas. Para o meu desespero, era o “Dia do Brinquedo”. Todos já estariam se divertindo com seus amiguinhos, enquanto eu, já atrasado, ficaria novamente marginalizado. Ao chegar na sala, fiquei a sós com o meu boneco por alguns minutos. Entretanto, Camila, minha professora e salvadora, não demorou para me integrar aos meus novos amiguinhos. Nunca me sentira tão amparado num ambiente escolar, e minha timidez dissolvia-se, permitindo-me aproveitar o momento. Não fora ignorado por Camila, abandonado para me integrar sozinho ao grupo. No entanto, não me sentia alvo de pena da minha professora. A estratégia utilizada pela educadora engendrou confiança e eu me vi capaz de me emancipar, criar coragem e superar a minha timidez. Portanto foi uma mistura das ideias de M-1 e M-2, personagens de sua crônica, que funcionaram no meu caso.

Terminado o meu relato e este fluxo de memórias, emoções e pensamentos, espero que se tenha entretido. Despeço-me apelando para que continue a inspirar reflexões e a emocionar seus fiéis leitores, assim como fizeste comigo.

Atenciosamente,

A.F.

Texto-Modelo (aula 9)

Abaixo, segue o texto de Daniela Locatelli, uma colega da 3B1. Percebam que a história inventada pela Daniela é tão verossímil, que chegamos a imaginar a vida do “menino triste”… Daniela, é impressão minha, ou você entrou tanto na personagem, que até as iniciais são de outra pessoa?
:)

São Paulo, 4 de agosto de 2011

Caro Artur da Távola,

eu, que sou grande fã de crônicas, peguei-me relembrando minha infância ao ler “Olho de menino triste”, de sua autoria. Ao reviver meus tempos de menino tímido, identifiquei-me com a crônica e, como consegui superar minha timidez, gostaria de compartilhar um pouco dessa experiência com o senhor.

Aos 10 anos fui transferido de colégio. Antes da transferência, convivia com cerca de 500 estudantes. Depois, possuía um total de 3500 colegas na nova escola, o que só piorou minha condição de criança introvertida. Eu me sentia perdido em meio a tantas pessoas estranhas e, por mais que quisesse fazer amigos, mal conseguia cumprimentar meus colegas. Chorava todos os dias, desejando nunca mais sair de casa. É assim, senhor Artur, que as crianças tímidas se sentem: querem desaparecer. Ao ler sua crônica, a personagem M-1 me lembrou muito alguns professores da escola nova. Porém, não é uma lembrança que me agrada, pois sentia que o sentimento deles por mim era de pena, o que me revoltava. Crianças não precisam de pena, mas sim, de apoio. Portanto, para mudar a situação, decidi mudar meu comportamento, fazer amigos, o que mudou minha vida.

Hoje sou casado e possuo muitas amizades. Porém, gostaria de que meu colégio e professores tivessem me apoiado, o que não ocorreu. Como M-2, acredito que o mundo não se adapta às pessoas e, se eu não houvesse mudado minha postura, não seria a pessoa que sou hoje.

Atenciosamente,

P.G.

 

Altruísmo nas empresas

Alguns estudiosos, como Robert Trivers, biólogo de Harvard, pesquisam as relações altruístas entre os animais. Com base em seu trabalho, o autor dos dois artigos abaixo analisa o altruísmo nas relações profissionais.

Para ler o primeiro artigo, clique aqui.

Para ler o segundo artigo, clique aqui.